O projeto Nós na Tela foi idealizado em 2017 para ser uma série de 07 episódios audiovisuais sobre o bairro da Terra Firme, através da história de seus atores sociais. O projeto viria a ser viabilizado no ano seguinte através de Emenda Parlamentar conseguida pelo mandato do então deputado Federal Edmilson Rodrigues e seria coordenada pelo Professor Arthur Leandro, do Instituto de Ciências da Arte, e executada nos estúdios da Faculdade de Artes Visuais, FAV, e na Incubadora de Linguagens Digitais, também na FAV. Para tanto, foi estabelecida uma relação entre a ILD e o Coletivo Tela Firme, que inicia em 2018 e desenvolve uma série de projetos até 2020. Com o falecimento do professor Arthur Leandro no fim de 2017, o projeto passa a ser coordenado pelo então coordenador da ILD, Acilon Baptista.
O Tela Firme é um coletivo formado por jovens, basicamente estudantes ou egressos da Universidade Federal do Pará, que desde 2014 trabalham na produção de conteúdos sobre a Terra Firme, em sua maioria produções audiovisuais, segundo o olhar de moradores do bairro. Hoje, através das mídias sociais, possui publicações com alcance que chega a 200 mil computadores. O contato inicial com o Tela Firme foi através de Francisco Batista, geógrafo então com 39 anos, morador do bairro desde o nascimento. Após algumas reuniões para viabilizar o projeto, foram selecionados 12 alunos de graduação e pós-graduação da universidade como bolsistas, mais 7 membros externos, todos moradores da comunidade, que auxiliaram em captura de imagem, pesquisa, edição e produção dos produtos.
Mesmo antes de formalizada a contratação da equipe, foram realizados eventos de capacitação em Roteiro, Produção Audiovisual, Design Participativo e Criação. Os eventos foram realizados na estrutura da FAV, nos laboratórios de informática, ou no Coworking da ILD.
A razão de concentrar as atividades entre o Tela Firme e a Ame o Tucunduba, foi o fato de estes serem em grande parte formados por estudantes da Universidade Federal do Pará, o que facilitou o fluxo de trabalhos, desde a captação de bolsas, à inserção dos temas relacionados ao Civismo Participativo em disciplinas e projetos de pesquisa. O Curso de Tecnologia em Produção Multimídia por exemplo, passou a desenvolver projetos e temas de Trabalho de Conclusão de Curso voltados à comunidade do bairro, além de contar com o ingresso de um número relativamente grande de alunos do curso antes ou depois de se formarem. Em alguns casos, jovens moradores da Terra Firme optaram por cursar os cursos voltados ao audiovisual do ICA por causa do trabalho realizado entre a ILD e os coletivos. Caso dos alunos Walbster Martins, que cursou Tecnologia em Produção Multimídia, e Izabela Chaves, que cursa o curso de Cinema e Audiovisual.
Das reuniões foram criados os planos de trabalho que levaram à criação do plano de Metas, da escolha da metodologia, e da capacitação das pessoas. Assim, o trabalho foi desenvolvido em três etapas:
- Planejamento. Usando metodologia de Design Participativo para a escolha dos temas e a formação de equipes em torno de cada produção.
- Pesquisa. Para alimentar os roteiros a serem utilizados nas produções. Este foi feito pelas equipes que trabalharam nos projetos. Destaca-se nessa etapa além da pesquisa bibliográfica, a pesquisa de campo, realizada através de entrevistas e da II Cartografia Social da Terra Firme, onde foram levantados dados referentes à 10 categorias de atividades presentes no Bairro, e o Data Firme, onde foi realizado o mapeamento vivo do Bairro com a presença dos Movimentos Sociais.
- Produção. Etapa que envolveu captura de imagens, entrevistas, produção de trilha, construção de site, material gráfico para publicação dos resultados da pesquisa.
- Pós-Produção. Edição dos produtos audiovisuais e distribuição dos mesmos através de kits, caixas de miritis com a camisa do projeto, pen-drives com o conteúdo audiovisual, e material gráfico da Cartografia da Terra Firme.
A partir das etapas estabelecidas, foi criado um cronograma e um plano de metas correspondente à cada Etapas. Dentro do cronograma inicial, o lançamento estava previsto para março de 2019, posteriormente para março de 2020, no entanto a produção esbarrou em problemas de produção a serem resolvidos, ora de natureza burocrática, dada a informalidade dos colaboradores externos à UFPa, ora de natureza técnica, por contar apenas com estudantes para o desenvolvimento de todas as atividades. A última intercorrência veio por conta da Pandemia de Coronavírus, que além de dispersar a equipe, tornou impossível seu lançamento junto à comunidade até um momento em que seja mais seguro, e por isso planejado para o aniversário de Belém em 2021. Ainda assim, é possível dizer que as metas foram alcançadas em suas atividades e o objeto da emenda foi alcançado, indo além, pois além das produções audiovisuais, as produções acadêmicas e sociais que vieram do projeto mostram um legado muito maior que o pensado inicialmente.
Este documento apresenta primeiramente os objetivos, as metas por etapas, a metodologia utilizada, a equipe de trabalho, além de mostrar resultados referentes às produções audiovisuais e o conteúdo acadêmico gerado a partir do projeto.
Abaixo, um dos vídeos do projeto: